sábado, 31 de maio de 2014

O Que é a Arte ?

              Dimas Macedo


Foto de Margleice Pimenta


              O que é a arte? O que é a vida? O que é o cosmos e o que são, por fim, as escrituras de luz do universo? Acho que todas as filosofias e religiões existentes não responderiam à nenhuma das minhas perguntas.

              Mistério. A vida é mistério e representação. E, enquanto mistério e representação, a vida é o nada que nunca se resolve. Um achado que se perde no abismo da alma a cada instante.

              O que seria o amor? O que seria a ânsia do artista? O que seriam a morte ou a linguagem madura do desejo? Um nada quando se está diante da tragédia? Um tudo quando se está diante da certeza?

             A arte é a certeza de tudo. E a imprecisão, por seu turno, é o elemento fundante de todos os processos de vida. A imprecisão e a sua espada de Vesúvio. A imprecisão riscando o vidro do espelho, pois a dor que até hoje me doía tanto já não é o fantasma com quem me deito soturno na varanda.   

              E a casa do ser seria mesmo a força da palavra? A palavra fundadora do belo e que não nos deixa provar a existência real? E a literatura, seria ela uma tragédia interior? A perdição completa de um ser? 

              A literatura como um tormento sagrado, um prazer doloroso ou ainda um sinal da mística que pulsa na espessura do meu ser? Por que os poetas e críticos de literatura sempre se mostraram em estado de tensão, nos recessos da vida interior?

              E por que todos os manuais acerca da arte literária jamais variaram de tom? Sim. E por que a Literatura funciona, para os escritores, como se fosse uma imposição, exercida sobre a energia vital de quem a empreende?

               E ao escritor, não caberia mudar a história, mas apenas sofrer a história e as tiranias do social, e contra elas investir com a claridade dos seus códigos semânticos? 

               Será se tudo nos é dado e tudo nos será tirado, no domínio da vida interior? E que apenas o infinito da linguagem representa o infinito da vida, e tudo mais é a extensão do nosso pensamento?  

               E por que se foram os meus dedos em uma língua breve? E os tédios todos que eu sentia nas tardes de domingo? Foram-se as lenhas e as minhas fogueiras todas que ardiam?
              Silêncio Branco! As Vozes do Silêncio e o seu pranto que não volta nunca. Pois a vida que se faz certeza já é uma certeza e é, de certa forma, alguma transcendência madura. 

                O Deus que eu matei, e que voltou ainda mais supremo? A Via Sacra de Deus que me será a âncora? Ou o mundo inteiro que será, agora, um grão de areia no deserto?










3 comentários:

  1. Adorei o blog professor! Especialmente essa postagem que fala de duas grandes paixões minhas: a arte e os livros/livraria, que nada mais são do que uma forma de expressão da arte. Parabéns pela sensibilidade!

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  2. texto muito bom, professor Dimas! me identifico muito com sua paixão por livros, com o hábito de encontrar amigos nas livrarias da cidade e divertir-me com a leitura de alguma bela obra.. Sucesso!!
    Débora dos Santos Rocha, sua aluna de Direito Conctiucional I, manhã

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