sábado, 17 de maio de 2014

Império do Bacamarte

              Dimas Macedo

                                                  
                      

 Quis o historiador Joaryvar Macedo que eu o representasse no lançamento do seu – Império do Bacamarte (Fortaleza: Casa de José de Alencar/UFC, 1990) –, em Lavras da Mangabeira, e que ali dissesse que esse episódio foi um dos maiores tributos que ele poderia receber.

               Pesquisador incansável das origens de sua terra e de sua gente, Joaryvar é um exemplo de obstinação e fidelidade à sua vocação: a de pesquisador maior da história do sul do Ceará, principalmente aquela alusiva à ocupação e conquista das margens do Salgado e de seus afluentes.

              Autor de livros importantes como Os Augustos (Fortaleza: Imprensa Universitária, 1971) e A Estirpe da Santa Teresa (Fortaleza: Imprensa Universitária, 1976), deu-nos Joaryvar Macedo, em 1990, um livro singular sob todos os aspectos – Império do Bacamarte, editado pela Casa de José de Alencar/UFC. 

             Digo singular sob todos os aspectos, porque nesse conjunto de ensaios ele enfrenta a temática do coronelismo na região do Cariri, sendo a cidade de Lavras da Mangabeira, em particular, uma das alças de mira do seu bacamarte literário.

             Fundamentado em vasta bibliografia, bem como em pesquisas nas coleções de velhos jornais, nesse seu instigante projeto literário, Joaryvar Macedo “estuda o fenômeno do coronelismo que, vindo dos tempos coloniais, atravessou o império e atingiu o apogeu com a República”.

             Considero oportuna e muito bem escrita a apresentação desse livro feita por Sânzio de Azevedo, para quem Joaryvar Macedo, “desejando aprofundar sua pesquisa, restringiu o enfoque de seu ensaio à região do Cariri cearense (da qual é abalizado conhecedor), região onde a exacerbação das lutas partidárias, tendo o concurso dos grupos de bandoleiros, chegou a escrever algumas das mais sangrentas páginas da nossa História”.

              É nesse contexto que o coronelismo na região do Cariri, e especialmente em Lavras da Mangabeira, se impõe como um dos momentos maiores da história do Ceará e do Nordeste.

              Basta, neste sentido, que examinemos, na pesquisa de Joaryvar Macedo, os fatos alusivos à vida do coronel Gustavo Augusto, da sua mãe, Dona Fideralina, e à faina política do coronel Honório Correia Lima, e que consideremos as suas projeções no cenário político e social ao tempo do Ciclo das Deposições.

              Império do Bacamarte aqui está para o deleite do Ceará e para os olhos e o coração dos lavrenses, porque o Batalhão de Dona Fideralina nos convoca, porque os conflitos de 1907 e de 1922 nos aguardam, e porque a invasão de Lavras, em 1910, e a bravura do Coronel Gustavo estão agora mais do que nunca disponíveis.

               E que nos venha, por fim, a sociologia do trabuco que Joaryvar Macedo nos revela nesse livro plural e singular. Um clássico, sem dúvida, da sociologia política do Nordeste, e um monumento literário também, pois o seu autor já é, nos dias de hoje, o historiador maior, como será, de fato, saudado no futuro.

                                                                                      Lavras da Mangabeira, julho de 1990

2 comentários:

  1. Esse belo livro, ganhei um volume dado por meu pai, João de Bernardino. LI E RELI por diversas vezes.
    O modo de escrever de Joaryvar Macêdo fez que com eu me tornasse fã dos modos valentes do Cel. Gustavo Augusto, divertindo-me com o episódio em que não fez caso da 'destronação' encenada por Zé Borrego ("Sai da frente, Zé Borrego. Tu tem lá cadáver") e sentindo a impotência ao ver-se atacado no bonde, quando acompanhado das filhas.
    Tão belo o livro que tendo-o emprestado ao grande amigo JAIR TAVARES, natural de Barro/CE e residente em João Pessoa/PB, NUNCA MAIS O AMIGO ME QUIS DEVOLVER.

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  2. Olá! Como eu posso adquirir esse livro? Conta a história da morte de meu avô, Simplicio Augusto de Oliveira, assassinado com o irmão José Leite Filho.

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