quarta-feira, 22 de agosto de 2012

História de Várzea Alegre

                  Dimas Macedo 

                                                    
                                                                                                    
                  A região Centro Sul do Ceará caracteriza-se pela sua formação antropológica, pela sua identidade genética e pelos fulgores da sua vida social e política, escrita com o sangue dos seus primitivos habitantes, e pelo sino de seus inquietos bacamartes, que jamais pararam de troar, pelo menos até 1930.

                Encravada no espaço generoso do Médio Salgado, tem por núcleo primitivo de ocupação e conquista a povoação de São Vicente Ferrer, que evoluiu, com o tempo, para Lavras da Mangabeira, mas é em Várzea Alegre, mais precisamente no distrito de Naraniú, que vamos encontrar a capela mais antiga daquela região.

              Várzea Alegre pertenceu inicialmente ao município de Lavras, do qual se desmembrou para se constituir com vida política e social autônoma, dando, no entanto, a Lavras da Mangabeira, dois patriarcas da maior expressão: o Major Ildefonso Correia Lima, que casou com Fideralina Augusto; e o Tenente-Coronel Manuel Antônio Correia Favela, ancestral de duas importantes famílias daquele município.

              Cognominada de Terra dos Contrastes, em função de uma letra divulgada por Luiz Gonzaga, Várzea Alegre é uma cidade que se destaca em todo o Ceará em face, sobretudo, da sua tradição. Resistiu a dois monumentais ataques, no período da República Velha, e na modernidade ressurgiu qual uma urbe totalmente aberta para o novo.

            Várzea Alegre deu ao Ceará a inteligência de Sinézio Lustosa Cabral e a verve política de Figueiredo Correia; acolheu, no seu contexto social, o Dr. Manuel Gonçalves de Lemos, humanista e médico de renome; e viu nascer em suas terras a psicóloga Linda Lemos Bezerra, justamente a autora de Fragmentos da História de Várzea Alegre (Fortaleza, Editora RDS, 2011), que tenho a honra de prefaciar.

            Trata-se de livro singular e particularíssimo, escrito com a emoção e o afeto, mas carregado de certezas e verdades, no que tange à verificação das fontes, ao apuro dos fatos históricos, e também no pertinente à sua disposição temática, tão concatenada que se encontra a pesquisa por assuntos os mais variados, tais a formação histórica e geográfica da urbe, as suas personagens, a sua vida social e política e a sua afirmação econômica.

              A autora não esquceu de projetar as suas lentes sobre a figura singular do Padre Vieira, o famoso Padre do Jumento, patrono, com certeza, da ecologia do Nordeste, figura exponencial da cultura cearense, orgulho talvez maior de Várzea Alegre e orgulho também de toda a região.

                Na minha juventude, vivida na cidade de Lavras, eu costumava ouvir dos meus amigos (e constatar com os meus próprios olhos) que Várzea Alegre tinha as mulheres mais bonitas das cidades que ficavam no entorno. Subíamos de trem para Aurora ou descíamos de trem para Cedro, para apreciar, paquerar ou namorar as beldades, mas para Várzea Alegre íamos atraídos pelas mulheres que ali sempre mourejavam.

            Registro, por fim, que Linda fez um imenso bem à sua terra escrevendo a história do seu povo; condensando em livro o que aprendeu dos seus antepassados; e fazendo justamente o que já devia ter realizado, porque apaixonada pelo seu triângulo sutil e amoroso: CEdro, para os seus habitantes; VÁrzea, para os olhos de Linda; e LAvras, para o meu coração de poeta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário