sábado, 8 de novembro de 2014

Sociologia dos Trópicos

            Dimas Macedo

 
                                                   Foto: Lúcia Cidrão  


 O fervor literário de Iracema Régis parece mesmo que não para. De tempos em tempos, eis que essa inquieta escritora abre suas gavetas, polindo os cristais do seu imaginário e transformando em livros aquilo que lhe foi ditado pelas suas pesquisas ou pelos alforjes da sua oficina criativa.

 Cearense de Limoeiro do Norte, encontrou em São Paulo o destino da sua visão de andarilha, dali agitando o cenário cultural, não apenas do ABC paulista, mas também e especialmente de Mauá, com ressonância em vários Estados do Brasil.


 Integrante do Colégio Brasileiro de Poetas, ali fez-se figura de relevo. Abraçou a poesia popular e destacou-se como cordelista, mas nunca perdeu a sua condição de poetisa de linguagem erudita e de ensaísta e crítica literária que se reinventa, desde o início da sua produção.

   É autora de mais de uma dezena de folhetos de cordel e, entre os seus livros de poemas, eu destaco: Argamassa (2005) e A Palavra Exata (2012), sendo de 2006 o seu livro Babilônia de Babel, no qual ela se revelou conhecedora do texto literário e analista vivaz da sua estrutura semântica.   
        
   Agora Iracema Regis volta ao ensaio literário e me escolhe como prefaciador do seu livro – Sociologia dos Trópicos (São Paulo, 2016) –, reatando os Fios de Ariadne com que tecemos a nossa convivência e com que nos irmanamos na seara do intercâmbio de ideias.

            Em A Sociologia dos Trópicos pulsa o estro da sua visão de ensaísta, nos domínios da crítica, da cultura popular e do memorialismo, estudando a obra ou a personalidade de expoentes da nossa Literatura e da nossa Sociedade.

             Nesse conjunto de artigos de Iracema Régis não faltou o seu olhar sobre a Música, a Política, a Cidadania, a Sociologia e o Imaginário, mostrando-nos a autora a sua formação polimorfa, a sua cultura humanística e o seu amor pela militância literária.

            A sua produção cultural não paga tributo à cultura acadêmica. É despojada e talvez tributária da cultura que apenas almeja a audiência franca ou a força emotiva da compreensão e da cumplicidade. E nisso se resume a sua percepção criativa, a sua interação com os leitores e a afirmação da sua experiência no campo literário.

            Iracema Régis é escritora que se firma no contexto da sua geração, honrado a cultura brasileira a partir das suas raízes fincadas no nosso Ceará, Província Universal da Luz, Terra do Sol e dos Ventos e da Resistência Cultural.






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