sexta-feira, 7 de novembro de 2014

No Rastro da Poesia


                 Dimas Macedo


               É uma coisa do maior alcance pensar na Graça da poesia, na sua essencialidade, no seu poder de comunicação. A Poesia nos ensina a arte da escuta, a comunhão com as vozes do silêncio e nos faz intuir o saltério da palavra que nos serve de constituição.

              O mundo não faz nenhum sentido sem a escansão da poesia que está codificada na própria Natureza. Daí a necessidade dos profetas do Velho Testamento, transmutados nos poetas que os tempos modernos passaram a reverenciar.

              A poesia é um dom que chega à alma dos poetas através de uma revelação que a poucos é dada conhecer. Ninguém pode aspirar a ser poeta, porque a poesia é uma forma de música que somente é destinada àqueles para os quais foi dirigida desde o nascedouro.

               No seu livro intitulado – No Rastro da Poesia (Fortaleza: Editora Prêmius, 2014) –, Socorro Macedo Pinto nos diz a que veio como poetisa, pois revela os traços da sua musicalidade cantando o seu universo pessoal, os apelos da sua profissão e da sua vocação de educadora e de líder espiritual.

               Socorro traz no sangue a herança dos seus ancestrais: a capacidade de sentir o mundo a partir dos ritmos que a Natureza e a Educação nos inspiram, seguindo, nesse passo, o ofício no qual se empenharam os seus avós – João Guedes de Araújo e João Favela de Macedo – e os seus irmãos – Fátima e Iramar.

                Lateja também no seu sangue as vozes dos seus tios Zequinha Favela e Nenen Favela e toda a revoada de canários e curiós que nasceram no sítio Calabaço, em Lavras da Mangabeira – Ceará, de onde somos naturais, viveiro do qual o pássaro mais emplumado foi o meu avô Lobo Manso.

                A autora desse livro não faz por menos sendo poetisa. Sou seu primo e admiro a sua personalidade, o seu jeito de ser, a acolhida amorosa que se abre no seu coração, a sua capacidade de praticar o bem, de educar e de formar uma família exemplar e uma geração.

                 À ela e ao seu esposo Raimundo eu os tenho na conta de irmãos, porque assim crescemos, e com fervor sempre nos damos as mãos, porque no princípio da nossa comunhão está o Amor, a compreensão e todos os dons naturais com que o Altíssimo ungiu as nossas intenções.

                 Falo agora da poesia que nesse livro se contém. Nela, podemos divisar a vontade reiterada de ensinar, de propagar o bem, de exaltar os valores que são indispensáveis à cultura da retidão, tudo isso escandido em versos de intensa sonoridade e correção.

                 Nesse livro, os leitores encontrarão cordéis de ritmo popular, poemas de fatura moderna e sonetos tecidos com simplicidade, porém construídos com os valores da expressão gramatical, merecendo a autora os meus parabéns e em mim alimentando os laços do afeto que a cada dia vai ficando maior.

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