quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Valdir Pinto: Os Versos de Jesus

                   Dimas Macedo



              A poesia é a mais elevada de todas as formas de comunicação. E é também a mais verdadeira. Através dela, a memória do mundo se torna mais refinada. Ela atualiza a tradição, glorifica os feitos da humanidade, distingue os heróis, dignifica a vida e a esperança, e de forma que a sua chama nunca se extingue.

            A ninguém é reconhecido o direito de aspirar a ser poeta, pois a poesia é uma eleição que os deuses promovem entre alguns mortais, para que eles deem o testemunho daquilo que o tempo não consegue destruir e que os mortos já não conseguem lembrar, em face do seu compromisso com o efêmero.

            Quando menos esperamos, um novo poeta aparece pedindo passagem e anunciando um jeito diferente de dizer aquilo que sentimos ou aquilo que não percebemos, exatamente como faz o autor de – Jesus Também Fala em Versos –, Francisco Pinto de Macedo, mais conhecido por Valdir Pinto, natural de Lavras da Mangabeira (CE).

            Valdir é um ser humano abençoado e eu me orgulho de tê-lo como primo.
Talvez tenha sido o maior amigo do meu pai, nos tempos venturosos da mocidade, quando passaram a abraçar um mesmo ideal: a causa dos trabalhadores rurais e o empreendimento das suas aspirações cooperativistas.

              Depois, Valdir começou a palmilhar caminhos novos e a abrir veredas, combatendo o bom combate, porém sempre fiel aos ideais da sua religião, criando a sua prole e espalhando o seu exemplo de cristão, até que a maturidade o acolheu e o trouxe de volta para o seu torrão.

              Voltou-se então o meu primo Valdir para a busca das suas origens e do seu entorno familiar, inspirando-se na tradição dos seus ancestrais, cujas raízes se encontram plantadas do sítio Calabaço, de onde somos naturais e membros da Família Macedo, aquela que deu ao município de Lavras o maior número de poetas, e poetas do porte de Lobo Manso, de quem me orgulho de ser descendente.

              Em 2012, Valdir publicou o seu livro de estreia – Os Pinto do Calabaço –, no qual mostra o seu valor de genealogista, e já neste início de 2014, ele nos presenteia com esse caderno de poemas da melhor qualidade, que é Jesus Também Fala em Versos (Lavras da Mangabeira, Edição do Autor), no qual a epifania das Escrituras e a essência cristã dos Evangelhos são decantadas com determinação.

              Valdir Pinto sempre teve em Odete o seu Anjo e a sua companheira de todas as horas. Deus quis que assim se fizesse o seu castelo de amor e que assim se edificasse a sua casa. Mas Deus quis também se revelar por meio dele e através dele quis dar ao mundo o seu testemunho.

                  Li este livro do meu primo Valdir com a máxima atenção, nele apreciando o poeta e a sua riqueza de metros populares, às vezes, eruditos, mas sempre de natureza plural e instigante, ensinando-nos o autor a arte de ler as Escrituras a partir da escansão dos seus versos e da sua linguagem simétrica para com o tempo e a eternidade.

                Os seres humanos somos essa matéria perecível, mas o verbo de Deus que nos habita se faz em nós encarnação, e depois se faz ressurreição, por meio de Jesus, que se expressa através de ritos e sinais, com os quais, desde sempre, se anunciou.

               Esta, a lição do autor, com a qual estou de acordo; este, o testemunho maior do meu primo Valdir como cristão. E que ele continue assim, fazendo a sua estrela de poeta brilhar. A sua estrela de poeta e o seu farol de cidadão.

2 comentários:

  1. Está, assim, belamente apresentada a obra do primo Valdir Pinto (e até retratado próprio autor de JESUS TAMBÉM FALA EM VERSOS). E desde que Dimas adianta-nos que os versos têm a genuinidade sertaneja, declaro-me, de logo, adquirente de mais essas linhas do filho de Mundoca Pinto.
    Naturalmente que, estando mais uma vez no Amapá, demorar-me-ei um pouco a avistar de novo o sério e simpático primo e conhecer-lhe o lirismo dos versos cristãos. Contudo, é certo que o alcançarei em dia deste mesmo 2014.

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  2. Tenho orgulho da minha família! Que saudades do Tio Valdir!

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