sábado, 16 de março de 2013

Marrecas


                                             Dimas Macedo

    
                                     Igreja de Jesus, Maria e José
                                    em Marrecas (Distrito de Tauá (CE)
                                           Foto de Cleonice Cidrão                                                 



Distrito de Marrecas,
nas margens do Puiu,
esconde o azul
do céu na emoção.
E na paixão a fé, a luz:
Jesus, José, Maria,
na euforia do grão.

José Cidrão, Adi,
a liberdade de ir,
de vir e de ficar.

Pra namorar Marrecas,
para plantar Cidrão
e levantar do chão
o cheiro do inverno.

Para ficar eterno
basta chegar
e cavalgar na nuvem
para rezar o terço.

Basta a alquimia do pão
e a leveza da alma.

Porque Marrecas
é o princípio de tudo;
porque Marrecas
é o destino dos ventos;
porque Marrecas
é o escudo
da proteção de Deus,
feito instrumento.

Ai quem me dera
o corpo de Marrecas
para sempre nos braços!
Ai quem me dera
o cheiro de Marrecas
para sempre nos olhos!

Porque Marrecas
é a flor do sertão
dos Inhamuns.

Lugar nenhum
no mapa.
Lugar nenhum
no grito.

O mito todo de Marrecas
e o corpo todo de Tauá
na emoção que move a escritura.

E na amplidão da luz
Marrecas é Jesus,
José, Maria e a paixão.

                                              Extraído do meu livro O Rumor e a Concha
                                              (Fortaleza: Edições Poetaria, 2009)

2 comentários:

  1. Um lugar que inspirou este lindo poema só pode ser divino e Divino!
    Abração, Dimas!
    Lourdinha.

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