domingo, 27 de setembro de 2015

O Poeta Popular Joca do Arrojado


          Dimas Macedo

           João Gonçalves Primo (Joca do Arrojado) nasceu aos 10 de outubro de 1930, no distrito de Arrojado, em Lavras da Mangabeira (CE). Filho de Tomaz Gonçalves de Lima e de Maria do Espírito Santo Gonçalves, fez o seu primeiro poema aos quinze anos de idade, enquanto trabalhava na roça, e desde então, nunca mais parou. 

            Em 20 de junho de 1952, casou-se com Valderice Ventura de Oliveira, com quem teve oito filhos: Antônio Gonçalves, Geralda Maria, Raimundo Nonato, Francisca Gonçalves, José Ivan, Luiz Gonçalves, Rita de Cássia e Francisco Ivanberto.

             Em 1954, empregou-se na Estrada de Ferro, em Arrojado, aposentando-se em 1980. Mas o trabalho mais profícuo que realizou, foi a sua dedicação à poesia, sobressaindo-se no seu município e na região centro-sul do Ceará como grande poeta.

             Sempre resistiu na sua faina de sertanejo, mas também sempre permitiu, com generosidade, que muitos levassem os seus poemas com promessa de publicação, contando-se entre eles, políticos e aproveitadores de todos os quilates, que se diziam seus amigos, mas que nada fizeram pela divulgação da sua obra.

             Em setembro de 2014, mais uma vez, eu o visitei em Arrojado, e ali tomei conhecimento de que um volume contendo boa parte da sua poesia havia sido levado para longe. 

             Senti, então, que se fazia prudente a minha intervenção, no sentido do resgate e documentação da sua poesia. Foi o que fiz, de parceria com o seu neto, Artur Antunes, que digitou aquilo que foi possível encontrar no seu espólio literário.

              Histórias de Um Poeta (Fortaleza: Expressão Gráfica, 2015) é o triunfo da sua produção. Os seus poemas inéditos, ao que penso, ficaram perdidos na memória ou no esquecimento do poeta, sempre generoso com os seus amigos e com os valores da sua região.

              Joca do Arrajado é, de forma indiscutível, um grande poeta, dos maiores que o município de Lavras produziu. Tem a linhagem dos iniciados, e pode ser comparado, sem nenhuma dúvida, a versejadores do porte de Fausto Correia Lima, Chiquinho Bezerra, Lobo Manso, Vicente Correia e Cabral da Catingueira.

               Honram-me o resgate, a organização e a publicação dos poemas de Joca do Arrojado. Com isso, espero que outros escritores se voltem para a produção desse versejador, orgulho do distrito que o viu nascer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário