quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Poeta José Edimar

             Dimas Macedo

 
               
                  José Edimar de Macedo pertence à linhagem dos poetas do Vale do Salgado. É natural do sítio Calabaço (Lavras da Mangabeira – Ceará), locus privilegiado que deu ao Ceará e ao Brasil uma dezena de poetas da melhor estirpe.

              Seu pai, José Zito de Macedo (Zito Lobo), costumava segurar o cabo do arado recitando folhetos de cordel, e terminou os seus dias deixando-nos um conjunto de escritos de boa qualidade: Trovas e Poemas (Fortaleza: Editora Oficina, 1990).

              O seu avô, Antônio Lobo de Macedo (Lobo Manso), foi uma das mais positivas legendas do folclore poético do Nordeste, merecendo elogios de pesquisadores como Câmara Cascudo e Altimar Pimentel, Têtê Catalão e Florival Seraine, Alberto Galeno e Sílvio Júlio de Albuquerque Lima.
 



               O seu tio paterno, Joaryvar Macedo, e o seu irmão, Dimas Macedo, migram da sua condição de ribeirinhos, e, tempos depois, ingressaram na Academia Cearense de Letras, ilustrando a tradição cultural da velha Princesa do Salgado.
 
             O poeta José Edimar de Macedo, na infância, atravessou o Córrego da Ema e o Riacho do Rosário e se fez canoeiro nas águas do Salgado, pastoreou rebanhos no sítio Cajueiro e, na cidade Lavras, viveu de baladeira em punho colocando ordem na fauna e na cena social lavrense.

             Arribou, depois, pelo Brasil, feito um andarilho, mas em Rosário (Maranhão) foi seduzido pelos olhos de Naná, que o levou para o Planalto Central, onde ele tornou-se cidadão: primeiro, no Distrito Federal e, depois, no Estado de Goiás, ali destacando-se como exímio professor e jardineiro.
 
 
             O título de licenciado em Ciências Agrícolas, pela Universidade Federal do Ceará, e a sua paixão pela terra e pelos cantadores do Nordeste, parecem que lhe serviram a um fim: à metrificação e ao gorjeio musical dos seus versos de gosto popular.

            Nunca desistiu de publicar o seu livrinho de versos, e é por isso que ele viu, antes da sua morte prematura, os seus Poemas Populares (Fortaleza, Edições Poetaria, 2010) publicados e ilustrados por Geraldo Jesuino da Costa, mestre do desenho gráfico cearense.

           Por onde andou o poeta José Edimar, atravessando diversas fronteiras do Brasil, sempre levou no coração o seu jeito meio estabanado de viver, despreocupado com os bens materiais, rico de afetos para com os pobres e os despossuídos, agradecendo a Deus e aos amigos por todas as graças e ajudas que lhe foram dadas. 

          O meu irmão, José Edimar de Macedo, partiu muito cedo para os braços de Deus, mas é certo que muito admirou o feitio gráfico dos seus textos, porque da minha parte, como seu amigo, tudo planejei para que se revestisse de lírios o seu sonho maior de seresteiro.

             José Edimar de Macedo nasceu em Lavras da Mangabeira (CE), as 05 de julho de 1952, e faleceu no Município de Cidade Ocidental, no Estado de Goiás, aos 29 de dezembro de 2011.

                                                


                                                                    José Edimar, Mércia Maria, Fabiano, Joana Cristina, 
                                                                           Dona Naná Marques e  José Edimar Júnior.

2 comentários:

  1. Dimas, seu irmão partiu muito cedo para outro plano, foi participar do coro divino; mas, graças ao seu amor e a sua generosidade, deixou um pouco do seu pensamento nos versos que publicou. Você é assim, e toda sua família, com certeza, deve amá-lo muito. Belo gesto fraterno.
    Lourdinha Leite Barbosa

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  2. Caro professor Dimas, quando pensei que me precipitara ao aludir (no Facebook) a "sua menção" ao mano NO LIVRO "A BRISA DO SALGADO", corri a conferir, pois estava junto a mim e efetivamente revi, na pág. 72, sob o título "POEMAS POPULARES", no capítulo que leva o nome "À MARGEM DA HISTÓRIA", a bela e fraternal apresentação a seu respeito (dele, JOSÉ EDIMAR).
    Ali, então, vi que ele ainda teve oportunidade de ver publicado o seu livro de poemas (POEMAS POPULARES, 2010), para só então, satisfeito com esse resultado (e com os demais frutos que produziu), despedir-se da família.
    Foi cedo demais, caro Dimas Macedo, e talvez eu nem devesse relembrar-lhe essa outra efeméride, mas não pude evitar o comentário.
    Abraços cearenses do lado de cima do Equador.

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