Seu pai, José Zito de Macedo (Zito
Lobo), costumava segurar o cabo do arado recitando folhetos de cordel, e
terminou os seus dias deixando-nos um conjunto de escritos de boa qualidade: Trovas e Poemas (Fortaleza: Editora
Oficina, 1990).
O seu avô, o poeta Lobo Manso, foi uma
das mais positivas legendas do folclore poético do Nordeste, merecendo elogios
de pesquisadores como Câmara Cascudo e Altimar Pimentel, TT Catalão, Florival
Seraine e Alberto Galeno.
O seu tio paterno, Joaryvar Macedo, e o
seu irmão, Dimas Macedo, migraram da condição de ribeirinhos, no Sítio
Calabaço, para Fortaleza, onde ingressaram na Academia Cearense de Letras,
ilustrando a tradição cultural da velha Princesa do Salgado.
O poeta José Edimar de Macedo, na
infância, atravessou o Córrego da Ema e o Riacho do Rosário e se fez canoeiro
nas águas do Salgado do Riacho da Extrema, pastoreou rebanhos no Sítio Cajueiro
e, de baladeira em punho, sentia-se um verdadeiro Napoleão da fauna e da vida
social do bairro Além-Rio, onde se impunha em face do seu desassossego.
Estudou no Grupo Escolar Filgueiras
Lima e no Colégio Agrícola Prof. Gustavo Augusto Lima de sua terra natal, onde
foi presidente do Centro Estudantil Lavrense. No Piauí, em diversas
instituições, exerceu as suas habilidades de Técnico Agrícola, o mesmo
acontecendo no Maranhão e no Ceará, onde foi gerente da Fazenda Mulungu, em
Jaguaribe, e Secretário da Prefeitura de Lavras da Mangabeira.
Vivendo uma vida intensa e de muitas
inquietudes, José Edimar viajou muito pelo Brasil, demorando-se em regiões como
o Centro-Oeste e o Amazonas, mas em Rosário (MA) foi seduzido pelos olhos de
Naná, que o levou para o Planalto Central, residindo no Distrito Federal e em
Goiás, onde fixou a sua descendência.
Poeta popular, boêmio incorrigível e
cantador de viola, destacando-se, igualmente, como professor, dirigente
partidário e secretário da Prefeitura Municipal de Cidade Ocidental (GO),
função que exerceu em duas oportunidades, ali tendo falecido, aos 29 de dezembro
de 2011.
O título de licenciado em Ciências
Agrícolas, pela Universidade Federal do Ceará, e a sua paixão pela tradição e
os cantadores do Nordeste, parece que lhes serviram de estímulo apenas ao
gorjeio dos seus versos de gosto popular, e aos seus improvisos.
Nunca desistiu de publicar um livro com
a sua produção de poeta, e é por isso que ele viu, antes da morte, os seus Poemas Populares (Fortaleza: Edições
Poetaria, 2010) editados pelo mestre Geraldo Jesuino.
Por onde andou o poeta José Edimar,
atravessando fronteiras do Brasil, sempre levou no coração o seu jeito livre de
viver, despreocupado com os bens materiais, rico de afetos para com os pobres e
os despossuídos, agradecendo a Deus e aos amigos por todas as graças e ajudas
que lhe foram dadas.
O meu irmão, José Edimar, partiu muito
cedo para os braços de Deus, levando consigo as suas inquietações e as suas
virtudes espirituais, mas é certo que admirou o feitio gráfico dos seus textos,
porque da minha parte tudo planejei para que se revestissem de lírios os seus
versos e as suas estrofes de poeta e de boêmio que sempre chamava a atenção.
Dimas, seu irmão partiu muito cedo para outro plano, foi participar do coro divino; mas, graças ao seu amor e a sua generosidade, deixou um pouco do seu pensamento nos versos que publicou. Você é assim, e toda sua família, com certeza, deve amá-lo muito. Belo gesto fraterno.
ResponderExcluirLourdinha Leite Barbosa
Caro professor Dimas, quando pensei que me precipitara ao aludir (no Facebook) a "sua menção" ao mano NO LIVRO "A BRISA DO SALGADO", corri a conferir, pois estava junto a mim e efetivamente revi, na pág. 72, sob o título "POEMAS POPULARES", no capítulo que leva o nome "À MARGEM DA HISTÓRIA", a bela e fraternal apresentação a seu respeito (dele, JOSÉ EDIMAR).
ResponderExcluirAli, então, vi que ele ainda teve oportunidade de ver publicado o seu livro de poemas (POEMAS POPULARES, 2010), para só então, satisfeito com esse resultado (e com os demais frutos que produziu), despedir-se da família.
Foi cedo demais, caro Dimas Macedo, e talvez eu nem devesse relembrar-lhe essa outra efeméride, mas não pude evitar o comentário.
Abraços cearenses do lado de cima do Equador.