segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A Letra e o Discurso de Dimas Macedo (Durval Aires)

  
          Durval Aires Filho
                                                  

               A comparação como figurinista serve apenas para expressar a importância desse trabalho, dessa costura literária que fez Dimas Macedo em A Letra e o Discurso (Fortaleza, Editora UFC, 2014), repetindo semelhante experiência, datada de 2006. Essa prática, remonta um guarda roupa vasto, um corte (ou recorte) literário sobre diversas medidas e inúmeros figurinos.

            Pela vivência poética, sinto, nesses textos, harmonia, leveza. Por isso, li todos esses ensaios de um só golpe, de um só tempo, uma única estocada. Essa predisposição que tive como leitor, penso que surgiu devido ao descompromisso com o texto severo e erudito. E, mesmo escrevendo sobre Camus, Jung, Hume ou Octávio Paz, haverá simplicidade, texto comunicativo. Um elo prazeroso e enriquecedor entre a obra e o seu destinatário.

             Mudando, por sua vez, de direção, muito mais do que essa simplicidade, penso que o ensaísta também expõe o seu lado inquieto, sua prática, sua militância, que é também o seu jeito de estar no mundo. É bom que se diga: sua produção científica e literária é vastíssima, bem alentada e numerosa. Aliás, ser seu amigo, é ser amigo de seus textos, das suas ideias, das suas inquietações, do seu pensamento livre e libertário.
                
              Observando do alto da janela, nessa coletânea, o fato é que Dimas pode avaliar Rawet (e a escritura do tempo), passar pela Giselda Medeiros e vê “cinema: a lâmina que corta”. Creio que não é tarefa das mais fáceis sair do romance (e crônica social) para a Arte de Vando Figueiredo, Lira Juraci, Mano Alencar.
              
               A sua leitura parece uma dança, um bailado leve e suave que surpreende, quando o autor, munido de altos dons intelectuais, reforça o trabalho dos outros autores, agregando suas experiências, com o cuidado e zelo.
               
              O seu principal foco, no entanto, é a literatura, sobretudo, a arte poética. Gerardo Melo Mourão, Jáder de Carvalho (como romancista) e Pablo Neruda estão presentes nesta letra, neste discurso. Agora, pergunto: como poderia deixar de demarcar estes autores? Acredito que não. O poeta Dimas Macedo, em seu primeiro caderno autoral de poesia, foi o agrimensor de A Distância de Todas as Coisas (1980), mas não destes valiosos nomes.

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