quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A Poesia de Diogo Fontenele

                Dimas Macedo

                                                 
                                                                        Tela de Bruno Pedrosa

            Diogo Fontenelle é um dos melhores poetas da minha geração. Sua poesia é original e a sua efusão criativa toca o universo do sonho, a camada onírica do inconsciente, o transbordamento afetivo da emoção e o estrato melódico da linguagem.
             Poeta puro, no sentido dos criadores da poesia pura, que não pagam nenhum tributo ao mercado, às vanguardas ou às exigências da poesia do cotidiano. A sua melopeia é feita com a cítara dos Anjos, com o som do alaúde e com o coro angelical dos mitos insondáveis.
             Estou que esse vero poeta cearense fez-se tímido demais, e simples demais, para enfrentar o desvelo da sua carreira literária, lembrando, nesse passo, o exemplo de Iranildo Sampaio ou o mergulho no qual imergiu o poeta Francisco Carvalho.
             A poesia de Diogo Fontenelle sempre me chamou a atenção de forma muito especial, porque me permitiu resguardar os fervores das minhas fantasias, o algodão celestial das minhas inocências, as nuvens de papel onde sempre guardei as minhas ternuras de menino.
            Doce é ser poeta como Rilke, cantar o mundo com a inocência de Tagore, ouvir estrelas nas asas invisíveis do poema, tais as canções de John Keats, ou olhar as brumas do etéreo como faz o poeta Diogo Fontenelle, expressão maior do nosso desejo de mudança diante do mundo decaído.
            As cores da poesia de Diogo Fontenelle são as cordas com as quais distraio a minha emoção de artista e com as quais ilustro a minha solidão de poeta. Sou duplo, sendo uno, enquanto leio as Miragens desse fingidor do real, desse agrimensor das nossas possessões irreais e das nossas fantasias. 
            Densa a poesia de Diogo Fontenelle? Irrefletida a sua criação literária? Fora do comum a sua substância criativa? Seria esse artista cearense um representante do etéreo, transmutado ao plano do humano? Ou seria Diogo Fontenelle a equação da poesia brasileira no campo da sua ousadia criativa?
             Se Diogo Fontenele não fosse um dos nossos maiores poetas, creio que não teria escrito este poema em louvor da sua criação literária. Sei que ele talvez esperasse um ensaio sobre o conteúdo desse seu relicário de afetos, mas isso não foi o que resultou das minhas leituras acerca da sua poesia.
              Ficam aqui a minha crença e as minhas notas de reconhecimento para com a legitimidade da sua inspiração e o recorte estilístico da sua escritura literária, das mais altas que se ergueram entre os poetas da sua geração. Mas não apenas na literatura que de último se fez no Ceará.

                                                                                       

Nenhum comentário:

Postar um comentário