quarta-feira, 21 de maio de 2014

Joaryvar Macedo e a Cultura Caririense

               Dimas Macedo

                          




    Joaryvar Macedo é um historiador desconcertante, confun­dindo-se o seu nome com a própria formação histórica do Cariri, região sobre a qual assestou a sua tarefa de pesquisador e a sua preocupação de humanista perene.

     Ao lado do professor e também pesquisador Geraldo Nobre, compõe a dupla de historiadores cearenses que, partindo do exame de documentos primários, melhor se aproximaram dos modernos ensinamentos his­toriográficos.

     De Joaryvar Macedo pode ainda dizer-se que é a própria história do Cariri se movimentando, se expressando em gestos e palavras, se dimensionando nas páginas dos livros e opúscu­los que nos legou e nos trabalhos esparsos respingados na imprensa caririense e na Revista do Instituto do Ceará.

   "Homem calmo, de sólida cultura, não sabe fazer alarde pessoal de seus conhecimentos. É valor autêntico da cultura caririense que começa a espraiar-se por aí afora". Foi isto o que afirmou J. de Figueiredo Filho quando, em data solene para a história das letras sul-cearenses, o recebeu como sócio efetivo do Instituto Cultural do Cariri. Na época, Joaryvar Macedo era ainda um principiante, com três ou quatro títulos publicados.

     Daí em diante, porém, é que a "cachaça da pesquisa" o embriagou realmente, a ponto de ser considerado, com justa razão, "o mais abalizado historiador do sul do Estado", consoante opinião de Raimundo Girão, em O Povo, edição de 29 de novembro de 1981.

    Contudo, não são apenas estes os elementos determinantes da sua envergadura de homem de letras. Com a publicação de Pernambuco nas Origens do Cariri (1981), Joaryvar Macedo perfez, entre livros e opúsculos, o total de duas dezenas de títulos publicados, façanha, aliás, conquistada por poucos escritores cearenses da sua geração, principalmen­te a geração que se enquadra na sua faixa etária.

     Seu dinamismo de publicista levou-o a fundar, em 1974, em Juazeiro do Norte, o Instituto Cultural do Vale Cari­riense, do qual foi aclamado presidente, brindando-nos, no início de 1982, com o número oito do seu Boletim, em suas páginas tem acolhido o pensamento mais expressivo da cultura caririense.

    Em todos os seus trabalhos, Joaryvar Macedo primou por um estilo eloquente, e o equilíbrio da sua expressão literária mostrou-se sempre agregado à estrutura da sua nar­rativa. E quando expendiu juízos em torno de fatos históricos, ele o fez com a melhor clareza do raciocínio.

  Com sua linguagem pontilhada de expressivos ingredientes re­tóricos, demonstrou-nos Joaryvar Macedo, em todo o decurso da sua escritura, possuir a dotação de um clássico, sendo ele um moderno.

  Esse grande historiador do Ceará estreou como poeta, fazendo sonetos à antiga, vindo, depois, a se definir pela pesquisa. Como escritor, revelou diversas facetas do seu engenho e açambarcou vários domínios da escrita. Sendo um genealogista fecundo, depois revelou-se filólogo, principalmente desde quando publicou os seus estudos em torno da obra de Joaquim de Alencar Peixoto.

  A sua vocação maior, porém, foi a de pesquisador, sempre atual, sempre seguro, sempre com o maior ou menor acontecimento da história do Cariri na cabeça, pronto para responder às indagações que lhe foram dirigidas e para tirar as dúvidas que lhe foram apresentadas.

  No campo do ensaio biográfico, Joaryvar Macedo brindou-nos com os trabalhos: Otacílio Macedo (1970), Um Bravo Caririense (1974) e O Poeta Lobo Manso (1975), entre outras publicações; e no domínio do ensaio literário propriamente dito, com acurados estudos, como o são os que empreen­deu em torno do poeta Fagundes Varela e do histo­riador caririense Irineu Nogueira Pinheiro.

 Entre os livros que publicou, um só abonaria a sua reputação de historiador e genealogista. Trata-se de A Estirpe da Santa Teresa, repositório de informações precisas e seguras sobre uma das mais frondosas árvores genealógicas do Cariri. A Estirpe da Santa Teresa encerra-se num alentado volume de 1.223 páginas, publicado pela Imprensa Universitária da UFC, em 1976.

            Posteriormente, Joaryvar Macedo penetrou em terrenos ainda mais áridos da pesquisa. Seu Povoadores do Cariri Cearense (1985) é bem um ates­tado desta afirmativa. Contudo, sua obra genealógica, encontra ainda dimensões em livros co­mo Os Augustos (1971) e em tese histórica como é o caso de Lavras da Man­gabeira - Dos Primórdios a Vila (1981).

            Joaryvar Macedo foi, potencialmente, um escritor inquieto, porém um homem polidamente tratável, sendo o valor maior das letras sul-cearenses no durante quase meio século. Quem começar a leitura da história do Cariri cearense pelas obras de Irineu Pinheiro ou resvalar pelos ensinamentos do Padre Antônio Gomes de Araújo, terminará ancorando nos seus trabalhos históricos sobre a conquista, o povoamento e a formação étnica e social do ubertoso vale.


                                                                                                     In Leitura e Conjuntura: Fortaleza, 1984

2 comentários:

  1. Já não sei o que dizer acerca desse "gigante" que foi Joaryvar Macêdo.
    É que qualquer palavra elogiosa será sempre mínima para tanto talento.

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  2. Com Joaryvar aprendi a escrever quatro livros por ano!

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