quinta-feira, 27 de junho de 2013

O Melhor Tempo


                  Dimas Macedo




                   Escultura de Ana Costalima

         A busca do tempo compreende muitos regressos e avanços. No universo, nada me parece mais circular do que essa equação. O tempo existe para nos entreter. E quanto mais nos afastamos do presente, menos dolorida será a nossa sensação de perda, e muito mais prazerosa será a nossa satisfação.

         Daí a busca do tempo melhor, aquele que reluz na demão do passado, que nos faz reviver a infância e que nos leva a pensar o quanto aquilo que perdemos é essencial para nós, e o quanto aquilo que ganhamos pode implicar na nossa negação.

         O tempo que perdemos, contudo, compreende também o espaço, a rua, o mundo e os encantos da terra em que nascemos; a casa do ser e a linguagem; a transposição da báscula do desejo e a intermitência de um rio que pode ser chamado, talvez, de Rio Acaraú.

         O tempo melhor da escritora Célia Oliveira, no seu livro de estreia, parece ser o tempo no qual tudo se pode restaurar: traços da formação escolar, os sinos da primeira comunhão e a procura incessante da claridade e da luz, na velha e na nova cidade de Sobral.

         A naftalina das lembranças, o cheiro inclemente da chuva, a imposição daquilo que ficou para trás; a família, mais uma vez a família, a marca das coisas da infância e o desejo de tomar uma nova direção: eis o espaço do sonho para o qual
a autora nos quer conduzir.

         Não quero me alongar neste texto. O que aqui quero registrar é que o livro – O Melhor Tempo (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2013) –, de Célia Oliveira, é muito mais do que bom, muito bom mesmo de ler e de guardar: para ser lido depois e para ser revivido pela emoção.

Um comentário:

  1. O homem e seu eterno problema com tempo. Vivemos num mundo em que tudo muda tão rápido, em que tempo é dinheiro, em que todos prezam por todos os minutos que passamos vivos. Discutir o tempo e o comportamento humano em relação à ele é, sem sombra de dúvida, algo interessantíssimo e cheio de nuances e enfoques. Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo, já dizia Saramago.

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