sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dona Eliete Macedo: Perfil da Minha Mãe



                Dimas Macedo
    
  
                                                                                    Dona Eliete Macedo,
                                                                                       aos 15 Anos
    

            A aura que envolve a minha mãe e que a consagra fez-se uma extensão em toda a minha vida, de forma que o passado e o futuro de sua permanência fundem-se no momento presente e a cada instante em que desfruto da sua companhia.

                  Minha mãe não morreu e nunca morrerá para mim, porque se fez verbo e espírito na imaginação e na lembrança que guardo da sua eternidade, da sua afirmação humanitária e da sua decisão de viver a despeito de qualquer tempestade.

                    Franca, desassombrada e serena, mas sempre afetiva e amorosa diante de cada um de nós, Maria Eliete de Macedo é um nome como jamais existiu outra igual, razão pela qual eu a louvo e venero como se ela fosse a minha fundação e a minha raiz essencial.

                  Minha mãe conhecia e sabia distinguir os limites da claridade e da luz e sempre estava preparada para o exercício do ato de servir. Jamais desamparou o meu pai e sempre nos mostrou o caminho da nossa redenção.

                  Firme e lutadora durante todo o tempo em que viveu, em Lavras da Mangabeira, nossa terra de berço, minha mãe fez-se também uma expressão de cidadã que nunca recuou diante da impostura do poder.

                 Em defesa dos seus e das suas convicções de cidadã e de mulher, envolveu-se, inclusive, em lutas armadas; enfrentou as vilanias do Poder Judiciário e demarcou, com a sua palavra, decididamente forte e aguerrida, o seu espaço de ação no campo político e social. 

                Ferrenha opositora do mandonismo político que sempre imperou em nossa terra, dizia-se, inclusive, na velha Princesa do Salgado, que Dona Eliete Macedo era a mãe dos oprimidos e dos que não podiam falar ou se opor à tirania das instituições.

               Viveu quarenta e seis anos a minha mãe, pois tendo nascido no município de Lavras, aos 20 de fevereiro de 1929, veio a falecer em Fortaleza, aos 10 de outubro de 1975.

               É na sua memória que me apego para meditar ou para pedir a Deus a união de todos os seus descendentes, porque amo aos meus irmãos e sobrinhos como ela sempre nos amou. Esse, com certeza, o desafio maior que enfrento: manter a unidade de todos, auscultando a sua intervenção.

               Mas sempre que a invoco ela vem e faz, sem ser observada, a cura das feridas que às vezes estão a rebentar, que às vezes insultam a sua santidade e a sua excelsa ternura de mulher.

                Deixou um vazio imenso em minha vida assim que se foi para os braços de Deus, mas depois que retornou em forma de luz e de espírito, instalou-se definitivamente em minha solidão, ensinando-me a viver segundo a minha natureza.

                 Sinto-a como se ela estivesse permanentemente cuidando de mim; sinto-a como se ela estivesse guiando os meus passos, como se ela fosse a reencarnação da minha vida, como se ela fosse a luz que sempre me leva para a frente.

                 Dona Eliete Macedo, minha mãe querida, minha deusa e minha soberana, você não sabe o quanto eu te amo e te venero até a exaustão, e o quanto eu a vejo e a percebo a cada jato de luz que Deus vai derramando em minha trajetória.

               A eternidade e o desejo e tudo o que Deus projetou no mundo de belo e grandioso talvez seja pouco para expressar o quanto a sua aura continua plena para mim.

              Não sinto a sua falta, minha mãe; sinto, pelo contrário, a sua presença benfazeja, o espólio da sua benquerença, a redoma de ouro com que nos protege e abençoa.

              Você é a terra-mãe e o sertão de sol de onde vim; e o que percebo, minha mãe, é que a brisa do Salgado nos ungiu, é que Deus nos uniu pela crença em sua redenção.

              Minha mãe querida, minha doce mãe, sei que você está aqui comigo nesta noite de luz, ao lado do meu pai, velando pela minha vida, cuidando da minha imperfeição e dirigindo os meus passos em busca de Nossa Senhora e de Jesus.

                                                                                                    Fortaleza, 2/11/2010

 


                                                                                                                          Casamento aos 14 Anos,
                                                                                                                       com o primo, José Zito de Macedo
                                                                                                                     (Zito Lobo).



                                                                                                                    Ainda bebê no colo do Pai,
                                                                                                                    José Furtado de Macedo
                                                                                                                    (Zé de Dandão), vendo-se
                                                                                                                    ao lado o irmão, Edilson, e a mãe,
                                                                                                                    Maria das Mercês Macedo.



                                                                                                                             Com os pais, o irmão Edilson, 
                                                                                                                             do seu lado direito, o esposo Zito,
                                                                                                                             do seu lado esquerdo, e o filho Rivaldo,
                                                                                                                              no colo da avó.

                                                                                                                       Com o esposo, Zito, e os dois
                                                                                                                      primeiros filhos, Rivaldo e Lúcia.

                                                                                                               Com um aninho de idade, em 1930,
                                                                                                               de chapeuzinho preto, nos braços do pai,
                                                                                                               por ocasião dos 60 anos de casados dos
                                                                                                              dos avós: Joaquim Lobo e Marica.
  



                                                                                   

7 comentários:

  1. Lindo o que você escreveu, Dimas. Com esse texto sobre sua mãe, você cresce mais ainda no nosso conceito, como um ser humano, além de sensível (poeta),justo, grato, solidário. Um filho que sabe reconhecer o valor dos seus ancestrais, e sabe expressar, com o coração aberto e ungido de amor, o cuidado e o carinho que recebeu, herança viva de sua mãe, que, hoje, muito bem sabe repartir com aqueles que se ajuntam ao seu redor. Parabéns, pelo texto e pelo sentimento de gratidão, tão vivo em você. Que, amanhã, Dia das Mães, Dona Eliete, junto à Nossa Mãe Santíssima, interceda por você e por todos os filhos, por ela tão amados. Bjs.

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  2. Texto mesmo do coração com todo amor e admiração que você tem pela sua mãe. Lavras da Mangabeira inteira respeitava Dona Eliete, e quem a conheceu jamais esquecerá a coragem, valentia e determinação que tinha aquela mulher.
    Um cheiro.
    Cristina Couto.

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  3. Lindo texto professor, certamente é uma inspiração para o dia de amanhã. Pude sentir sua emoção ao falar de sua mãe, com certeza ela deve se orgulhar lá do céu de ter um filho poeta! feliz dia das mães para você e sua família.

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  4. "Minha mãe não morreu e nunca morrerá para mim, porque se fez verbo e espírito na imaginação e na lembrança que guardo da sua eternidade." POESIA PURÍSSIMA e "QUÃO" BELA!

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  5. Parabéns pela riqueza do conteúdo de seu Blog, Dimas Macedo!
    Maravilhoso!!!!!!!!Jesus te ilumine sempre e mais.

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  6. Agora vejo de quem a Sandra herdou os perfeitos traços de beleza.
    Getúlio

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  7. Divino: " Não sinto a sua falta, minha mãe; sinto, pelo contrário, a sua presença benfazeja, o espólio da sua benquerença, a redoma de ouro com que nos protege e abençoa."
    Parabéns!

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