sábado, 6 de abril de 2013

A Poesia de Hermínia Lima



                   Dimas Macedo
                       

 
             Vivemos um tempo de transformação de todos os valores, no qual o sentido supremo da política e as aspirações da ética e do desejo foram retirados do campo de batalha, para que aí pudessem prosperar o mito do consumo, a coisificação do indivíduo e a substituição de Deus pelo mercado.

            E se, nos dias de hoje, apenas a representação deformada do desejo é capaz de alimentar as pulsões de morte do sujeito; em contrapartida, quero aqui reafirmar que somente a arte, a grande arte da palavra e os poetas de profunda imersão na estética do corpo e do silêncio é que são capazes de nos levar de volta para a vida.

            Entre esses poetas, eu coloco o nome de Hermínia Lima, cuja poesia me parece recortada pelas grandes linhas do afeto e pela brisa que nos beija o rosto sempre que ouvimos a sua proposta criativa.

           Mestra em literatura, professora de história da arte, criadora de símbolos literários e arquiteta de muitas armadilhas do texto, Hermínia é uma voz que se quer em chamas até à última louvação do corpo, isto é, até o resgate da sua memória e da sua identidade.

            Hermínia sabe recortar o texto com todos os fervores da língua, e sabe costurar a sua arte com os fios da linguagem dos que leem a sua partitura. Isto é: sabe tricotar o poema com os olhos, pois que o dígito da alma é o segredo que essa escritora cearense carrega.

             Sempre li os seus poemas com a maior atenção, reconhecendo-me em alguns dos seus textos, queimando-me em suas reticências e nos seus hiatos, na sua musicalidade e nas notas da sua escansão paradigmática.

             Autora de Sangria Azul (Fortaleza, 2001) e de uma tese de mestrado sobre a obra literária de Pedro Lyra, Hermínia Lima é uma das mais inquietas escritoras da sua geração. 

            A sua obra de ensaísta e de poeta me parece toda ela recortada pelos apelos da palavra ritmada, pela busca da sugestão erótica e pelo apuro da sensibilidade literária.

             Não me quero alongar neste texto, especialmente porque o escrevi à revelia da autora, que nada me pediu. Fi-lo com o coração em festa e o prazer do texto na boca do gargalo. Nem sequer o escrevi para agradar a mim mesmo, pois que me satisfaço, apenas, em viver de cortes e silêncios.

6 comentários:

  1. Dimas,

    Como fazer para agradecê-lo? Quando li o teu email, corri para o teu blog e, encantada com o texto, cuidei de publicá-lo no face, antes mesmo de te agradecer aqui (riso). Faço-o agora, pela segunda vez, e fico na espera para fazê-lo novamente e pessoalmente. Mais uma vez, muito obrigada. Abraço poético. Hermínia.

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  2. Grande Dimas
    Agradeço a Deus por nos ter dado um amigo como você.
    Esse seu texto sobre a poesia invulgar de Hermínia Lima é uma oração, que temos que recitá-la com o coração. Parabéns a você e Parabéns à Hermínia, grande merecedora desse seu texto.
    Amo vocês.
    Beijos
    Giselda

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  3. Dimas, as referencias à poeta Herminia Lima é um merecido destaque uma escritora de muito talento da nova geração.

    Abraço

    Galba gomes

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  4. Dimas, obrigada por fazer ecoar a voz forte das grandes escritoras cearenses. Você é generoso e sabe reconhecer quem merece. Os poemas de Hermínia iluminam nossa breve caminhada e tentam desvelar os mistérios que nos rondam. Seus versos, sejam suaves ou cortantes, provocam no leitor o prazer e a emoção que só a verdadeira poesia é capaz de provocar.
    Parabéns, Dimas! Parabéns, Hermínia.
    Lourdinha Leite Barbosa.

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  5. Dimas,nos brinda,com a poesia de Hermínia Lima,que traz paz,tranquilidade e passa realismo nos seus versos,afinal encanta e nós torna autênticos aprendizes da bela arte!

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  6. Herminia, Giselda, Galba, Lourdinha e Francisco José Junior, sou grato a vocês pelos comentários dsta postagem. Forte abraço.

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