domingo, 9 de dezembro de 2012

Relembrando José Valdivino

              Dimas Macedo

                                                        
                                                              O poeta José Valdivino 
                                                               e sua querida Adamir 
                                                                
Entre as vozes mais expressivas da lírica cearense, e assim de toda a poesia do Ceará, no século XX, merece referência o nome de José Valdivino de Carvalho, cujo centenário foi comemorado a 25 de fevereiro de 2011.

Poeta por vocação e imperativo de sua humanidade, que beirava as raias do despojamento e da completa unção contemplativa, Valdivino foi um poeta que soube permanecer fiel aos seus motivos e aos apelos da arte criar.

Purista, lírico e amante da dulcíssima e canora língua que o acolheu, até um ponto em que poucos dos seus colegas de vida literária chegaram a alcançar, e paisagista das coisas do sertão, José Valdivino de Carvalho foi o que se pode chamar um espírito inclinado à aventura da meditação.

             Lícito me seria nesta nota em que rememoro a sua dimensão de escritor, reconhecer o quanto o seu nome representa como exemplo de simplicidade e de grandeza alimentadas pelos mistérios do seu coração.

A dimensão telúrica, a mensagem lírica e a magia terna e sutilmente comunicativa da poesia de José Valdivino lhe dão, com certeza, a projeção por ele alcançada na literatura de sua geração.

Nos ensaios em que decifra os enigmas da língua portuguesa e em que estuda A Comédia Angélica de José Albano (1961) ou A Poética do Padre Antônio Tomaz (1943), José Valdivino de Carvalho parece assumir uma postura superior de intelectual, de ensaísta e de crítico que se engrandecem pelos acertos de suas conclusões.

Coração, conjunto de poemas de 1939, é o título com que Valdivino nomeia o seu livro de estreia, e é também com o coração que ele produz A Flor da Jurema (1942), e as suas Tardes Sem Sol (1978).

Nas Historinhas Para Meus Netos e Bisnetos (1984), no seu ensaio O Perigo da Co-Educação (1940), assim como nos demais textos e plaquetas que compõem o elenco de sua luminosa produção, flui a dimensão do escritor comprometido com os apelos da arte e com a placidez cristalina da vida que ele soube dizer como ninguém.

 Nasceu o poeta no distrito de Água Verde, município de Pacatuba (Ceará), aos 25 de fevereiro de 1911, sendo filho de Pedro Lopes de Sá e Antônia Valdivino de Sá. Òrfão aos sete meses de idade, consta que foi criado e educado pelo coronel Juvenal de Carvalho e sua mulher, Maria Joana de Carvalho.

 José Valdivino viveu a sua infância no Engenho Livramento, município de Redenção, onde cursou as primeiras letras, prosseguindo os seus estudos no Seminário da Prainha, em Fortaleza.

            Tendo abandonado o Seminário, em 1928, no ano seguinte ingressou no Colégio Cearense, dos Irmãos Maristas, onde permaneceu até 1933, aproximadamente, ali apurando ainda mais a sua paixão cultural e humanística.

           A sua formação superior foi realizada na Faculdade de Direito do Ceará, onde se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1938, optando, a partir de então, pela carreira do magistério, que soube conjugar, admiravelmente, com a sua vocação de escritor.

          Dedicou-se, durante toda a existência, às coisas superiores do espírito e ao cultivo da língua portuguesa, como o atesta o elenco de suas composições, tendo na Academia Cearense de Letras ocupado a Cadeira de 11, que tem como patrono o Barão de Studart.

          Além dos livros referidos, integram sua bibliografia: Ma Grammaire Française (1940), Pontos de Português (1943), Você e a Crase (1975), O Étimo de Valdivino (1980) e Algumas Poesias (2001).

           Distribuindo, através de seus livros, mensagens literárias de funda ressonância ética, sentimental e espiritual, José Valdivino de Carvalho faleceu em Fortaleza, aos 26 de abril de 1989, sendo admirado por todos como um estilista primoroso e um esteta iluminado por uma vocação.

Um comentário:

  1. jose valdivino de carvalho juntamense com sua esposa maria adamir leitão de carvalho foram as duas pessoas mais iluminadas que conhecí. muito obrigado a dimas macedo por este belo artigo, me fez recordar dos meus inesquecíveis pais.

    ResponderExcluir