sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Carta a Lúcia

             Dimas Macedo

                                      

               Lúcia,

             Segundo uma sabedoria oriental, a vida é um rio, cujo curso não podemos deter. Acredito, pessoalmente, que devemos ter serenidade suficiente para aceitar o que não podemos modificar, e que o projeto de vida (no plano pessoal) compreende a afirmação (e a confirmação) da energia vital que se interpõe em nossa existência e que nos convida para o exercício maduro da beleza. A vida, em essência, é isto: movimento, desvelo da liberdade pessoal, decisão e persistência nas rotas do caminho.

            Assumo, nesse texto, diante do teu coração e da tua alma, a minha decisão de te amar, de te buscar, de te assumir como a miragem e o grande projeto de fé, amor e esperança que nos cabe viver a partir de agora. Nada tenho para te oferecer senão o meu amor, a minha atenção, a minha proteção e o meu cuidado diuturnos. Entrego-te também a minha carne, o meu sangue, o meu coração e a minha língua. E em te amando assim de forma tão terna e transparente, sei que nada tenho a perder e tudo tenho a ganhar.

              Recebo-te como uma graça e também como um prêmio que Deus me entregou como prolongamento da minha vida (afortunada e útil) e para testemunho da minha fé e da minha eternidade.

              Tudo o que tenho será teu a partir de agora. E tudo o que tens eu anseio e quero para mim, essencialmente como forma de aliviar aquilo que em ti constitui sensação de peso e desconforto. Os teus limites, as tuas fraquezas, a tua imperfeição e a tua queda serão para mim sementes de vitória. E tão valioso será tudo isso quanto aquilo que já é o sinal da tua grandeza e da tua beleza interior: a ternura, o afeto maior, a autonomia de sentir, a decisão de viver, a indestrutível capacidade de amar e de exercitar o ato de entrega: pleno, total, maduro, incondicionado.

                 A nossa experiência, a nossa comunhão, a nossa identidade, bela e totalmente translúcida, tal a verdade na face do espelho, dizem de perto a respeito de tudo o que nos cabe e de tudo o que nos foi reservado.

              Não há o que temer. Não há o que duvidar. Os desafios são muitos. As tentações, mais cedo ou mais tarde, chegarão. As dores, ainda que atenuadas, irão persistir. A minha convicção, porém, é que o amor é tudo e que o amor é a única coisa real. Eu te amo, aceito o teu amor e estou convencido de que vamos nos amar da forma mais harmônica possível, da forma mais pura e sincera, da forma mais absoluta e fiel, até onde for possível transcender, até onde for possível chegar, pois o nosso rio já começa a correr: nos nossos corações e nas nossas bocas.

                                                                      Vila de Jardim
                                                                     Margem esquerda
                                                                     do Rio Jaguaribe
                                                                     Encontro com o mar

13 de fevereiro de 2006

                                                     Dimas Macedo

                                       
                                                                        Dois Mil e Seis



     

Dois Mil e Sete



                                         

                                                                    Dois Mil e Oito
                                                                 


      

                                                                Dois Mil e Nove

                                    

                                                

                                                                    Dois Mil e Doze

4 comentários:

  1. Meu caro Dimas:

    Parabéns pela comovente, tocante, envolvente e fascinante "Carta a Lúcia".

    Pelos raios de ternura que pululam do teu delicado texto, concluímos que a tua "Lúcia" - em sintonia com a raiz latina do nome - é uma pessoa "Luminosa".

    Que, cumprindo os deveres do coração, essa comunhão de almas atravesse as madrugadas per sécula seculórum.

    Viva o amor!

    Júnior Bonfim

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  2. Dimas e Lúcia,

    Que "coisa" linda e rara um texto como este! Lúcia: sinta-se privilegiada por despertar sentimento tão nobre e intenso em um homem; Dimas: sinta-se privilegiado também por lhe ter sido concedido o direito de viver amor tão verdaddeiro. Enfim, o que eu disse para um, vale inteiramente para o outro. Fico feliz por vocês e vivo a alegria de acompanhar, como amiga, a perpetuação desse amor. FELIZ 2013 para os dois! Com carinho, Hermínia.

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  3. Dimas e Lúcia

    Que glória maior poderá ser concedida a um homem e a uma mulher do que saberem-se entrelaçados na rede de um grande amor? E ainda mais quando esse amor representa a força vital de um para o outro e vice-versa!
    Não invejo nada nem ninguém, é de minha índole, mas como não ter vontade de ser como essa Lúcia tão amada por esse homem maior em poesia, em dignidade, em altruísmo?!
    Parabéns para os dois amantes. Que esse amor passe incólume a todos os temporais inerentes ao clima da vida!
    Beijos da amiga
    Giselda

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  4. Como é lindo ver um casal assim. São imagens e palavras como essas que me fazem acreditar que o amor é sim tudo o que importa e que, apesar dos desafios que ele nos impõem, vale a pena ter alguém para amar. Parabéns professor e felicidades sempre.

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