domingo, 4 de novembro de 2012

Filosofia do Beijo


             Dimas Macedo

                                                  
                                                             Cena do filme
                                                            O Beijo no Asfalto

            Roberto  Ribeiro é exemplo de intelectual em extinção. Pertence  à grei dos que bebem na linguagem  dos clássicos, dos que aspiram à comunhão do universo e, por isto mesmo, rejeitam as facilidades da tecnologia.

Antes de ser o retor primoroso que todos nós conhecemos, Roberto Ribeiro é dicionarista, historiador e esteta do vernáculo, da alegoria e do tecido simbólico com o qual o mundo se consola.

            A sua condição de acadêmico é outro dado que se conta em sua biografia exemplar e cativante, que excele e reluz por entre os nichos de cultura da Província.

            Integrante da Academia Cearense de Retórica e da Academia Cearense da Língua Portuguesa, como pesquisador e erudito vive Roberto Ribeiro a nos surpreender e sugestionar, quando menos contamos com a sua presença.

            Vejam, agora, os leitores o que ele nos  traz à sensibilidade: uma pesquisa rigorosa e fascinante sobre o mais profundo de todos os afetos, sobre o mais libidinoso e o mais sagrado de todos os atos sensuais  ou comunicativos: o beijo, o símbolo máximo da traição e da aproximação, da separação e da alteridade.

            Não sei o que pensam os psicanalistas sobre o beijo, mas sei que ele se encontra no centro da história, na simetria da sociologia e da política, no epicentro  da relação amorosa, independentemente do gênero ou do espaço em que os parceiros se encontram.

            Sou o Beijo, Abraçe-me! (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2011) é título do seu novo livro. Nele, é como se Roberto Ribeiro estivesse a convocar os leitores para o seminário do afeto, para o prazer indizível da leitura, para o solilóquio sublime do entretenimento.

            Sabemos que Deus, ao criar o homem, o fez através de um sopro, ungindo o barro com o beijo, por que é assim que o Espírito Divino se revela:  tocando-nos  o coração com o barro do desejo, que nada mais é do que o sopro maduro da palavra.

            Roberto Ribeiro  abraça a todos os leitores com o beijo terno e amoroso com que dedica  o seu livro a Fanny, a sua musa de todos os momentos. E  a partir desse ponto  o seu livro já passa à condição de alquimia e comunhão, convite à leitura e ao enternecimento.

            Variações  sobre o beijo, os sentidos do beijo, os recursos do beijo na música popular, o bosquejo do beijo na cultura erudita, a inseminação do beijo na cultura brasileira: eis a  pletora de assuntos com os quais Roberto Ribeiro a tanto nos fascina e a  tanto nos chama a atenção.

Um comentário:

  1. Me fascina, professor, como o beijo nos parece intrínseco à alma. Pergunto-me sempre se nossos antepassados tinham a mesma sensação de empatia que já parece tão natural e espontânea. Deveras, um símbolo universal que nos cativará por todas as gerações a vir.

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