quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Poesia de Wellington Alves

                                     
              Dimas Macedo

       
                                                                              Mano Alencar

           Wellington Alves é um dos melhores seres humanos que conheço. A sua alma de poeta, a sua transparência no convívio com os seus semelhantes, a sua ternura de amigo e a sua reputação de intelectual e profissional fazem do seu nome uma legenda viva do nosso tecido social.

         Cultura, irresignação e intuição para a realização do fenômeno poético sempre se somaram na personalidade de Wellington. A sua militância política de esquerda no âmbito da resistência à ditadura militar, e o exílio político que lhe foi imposto pelos detentores do poder parece que ficaram na sua consciência qual uma marca de bravura (e também de coragem) diante das investidas da vida.

        Conviveu com os círculos políticos e culturais franceses, fezendo-se ali psiquiatra respeitado, especialmente como Assistente Estrangeiro da Faculdade de Medicina de Paris, mas quando retornou ao Ceará rendeu-se ao império da poesia, ainda porque, desde cedo, encontrou na ternura de Fátima, sua mulher e sua musa, o maior de todos os seus poemas e a sua razão maior de existir.

         No Ceará, presidiu à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames e preencheu, durante muito tempo, os bares, restaurantes e espaços culturais de Fortaleza com a sua alegria de boêmio e com o seu jeito livre de viver.

        Não o tenho na conta apenas de amigo, porque, em verdade, sempre quis ser o seu irmão, e porque sempre desejei o seu sorriso largo e a sua verve sutil e cativante, humana, sincera e refinada.

         Wellington publicou uma meia dúzia de livros de poemas e em todos se houve com o brilho da sua inteligência, fazendo dos instantes vividos o seu passaporte cultural para o eterno, porque recriada sua pesquisa semântica pelos insights do enlevo e pelas cores da sua postura de poeta que nunca negou a sua condição.

        Depois, ouvindo os ritos dissolutos de Manuel Bandeira, foi-se o poeta embora para a sua Passárgada, na encosta da serra do Araripe, para louvar a cidade do Crato e reinar soberano sobre o Cariri, deixando em Fortaleza parte sua alma transbordante, que agora reaparece carregada de novas criações.

         O seu novo Inventário de Poesias (Fortaleza, Apex Gráfica e Editora, 2011) é o coroamento da sua trajetória de poeta, porque plena a escritura dos seus versos, porque aguda a sua cosmovisão estética, porque referto de traquejo poético a urdidura da sua solução poemática.

Nenhum comentário:

Postar um comentário